quarta-feira, junho 20, 2007

De vez

Seu coração tem pulado por alguém?
o meu, permanece pulado, por você
ainda grudado no alto, do mesmo jeito
no pulo que deu
durante o primeiro olhar dentro do seu,
Meu deus, que frio que me deu,
calor que aconteceu, depois,
nada que se tenha medo,
nada que se precise desvendar,
segredo pregado no ar, nosso brinquedo
nós dois, doidos pra brincar...


seu coração tem batido por alguém?
o meu, permanece batido, por você,
não tava no seguro, deu perda total
do juízo, do pouco que havia
virou pó a razão, virou poesia
lugar de confessar os calafrios todos
delírios raros que acontecem fácil
em nossos preciosos jogos de contato...


mas e você, sem fim,
já é de alguém?
você sem falta, com certeza,
já se deu?
alguém te recebeu de presente
te percebeu diferente
na multidão te quis,
e teve?
Ou você guarda alguma coisa só pra si,
pra quem te amar à vera, descobrir
me diz,
o que é que eu faço por você, que ninguém fez,
pra te roubar pra mim,
de vez?

domingo, junho 17, 2007

Coração estranho a mim mesmo

Alarmes por todo o corpo. Sirenes. Turbilhões.
Há invasores por perto,
e tudo o que está suscetível
a derramar com urgência algo lúdico,
alardeia a vocação
tão nobre, de ser alvo,
a ponto de salvar
fracas correntezas,
de não conseguirem esculpir, o náufrago,
tão necessário.


Durante a invenção de tudo,
pensou-se o coração,
entre o lapso, tentação primeira,
o coração foi mapeado,
perdeu-se o mapa e ficou
a sensação
do incômodo eterno
de poder perder-lhe
a qualquer hora
na mesa de jogo,
no cais,
nas alturas.


Enquanto nada agüentasse
os fatídicos expedientes
de entra-e-sai de oceanos
e enfartos fulminantes,
ficou o coração
no cargo
de vermelho
e vivo
e bombástico
e esquerdo
e primeiro a parar
e levar consigo
tudo
o que vivo ficasse depois que não agüentasse o mundo mais lhe infernizando, dentro


o meu, este meu, coração extraviado
nos navios que iriam partir pro além mundo,
este romântico mártir da América ultimada,
malasartes,
somítico,
inadequado,
insurgido,
contrabandeado coração não sei/não saberei/nem quero
estrangeiro de mim, em mim mesmo,
eternamente até seu/meu fim...


Eduardo Alves, junho/07